Resumo do 1º Encontro Didático de 2017: a Psicanálise na Graduação em Psicologia realizado em 27/03/2017.

O Encontro Didático é um espaço institucional usado para promover discussões em relação ao currículo entre alun@s e professor@s. Ele existe há pouco tempo no IP e vem se estruturando e ganhando legitimidade gradativamente. Ainda é muito comum questionamentos que vão na linha de “O que é o Encontro Didático?”, acreditamos que esses questionamentos acontecem no sentido da construção de uma compreensão daquilo que pode vir a ser esse espaço à medida que é possível vivê-lo também. De qualquer maneira, o Encontro Didático tem se mostrado como um espaço muito potente de discussão coletiva e articulação de propostas e encaminhamentos no tocante ao currículo e à graduação.

No final de 2016 a CG (Comissão de Graduação) pensou em aproveitar este espaço de forma mais sistemática. Para isso, pensamos (nós, membros da CG)  em organizar 4 Encontros Didáticos ao longo de 2017 sendo eles desenvolvidos nas seguintes datas e através das seguintes temáticas:

– 27 de março: A Psicanálise do curso de Graduação em Psicologia no IPUSP;

-26 de junho: Práticas e estágios no curso de Graduação em Psicologia no IPUSP;

-28 de agosto: Convergências, divergências e sínteses possíveis de conteúdos e práticas considerados essenciais na Estrutura Curricular do curso de Graduação em Psicologia no IPUSP;

-30 de outubro: Propostas e Deliberações para possíveis mudanças da Estrutura Curricular do curso de Graduação em Psicologia do IPUSP.

Sendo assim, nos propomos a compartilhar aqui um resumo de como foi este 1º Encontro Didático do ano.

Inicialmente, a Professora Márcia Bertolla, atual presidente da CG, fez a abertura do evento. Ela retomou a origem da temática que se deu no Encontro Didático do ano anterior que tratou de uma apresentação do Projeto Político Pedagógico do curso de Psicologia do IPUSP; nesta discussão que surgiram algumas colocações, a partir d@s estudantes, em relação a um excesso de Psicanálise no nosso currículo.

Logo em seguida, nós (Jéssica e Tomaz) RDs da CG, fizemos a seguinte fala de abertura:

“Levando a pauta do Encontro Didático ao coletivo de RDs e propondo sentidos de acesso e exploração desse tema, consolidamos uma compreensão de que a Psicanálise é parte estruturante e indispensável da nossa formação. Ela é fundamental em qualquer estudo sobre a história da Psicologia e, também por isso mas mais além, é uma matriz do conhecimento e das práticas que constituem a psicologia hoje, sobretudo no Brasil. E se entendemos a própria psicologia no plural, as psicologias, naturalmente vimos a entender na psicanálise as psicanálises. Sendo essa referência epistemológica tão importante e, mais, tão presente em nosso currículo, ressaltamos a importância de que ela seja muito cuidada, isto é, que a discutamos em suas especificidades com vistas a (e este é o centro da discussão que queremos propor no Encontro) uma articulação interna, do conjunto desses saberes.  

Daí nos organizamos e fizemos, em primeiro momento, algumas reuniões com as turmas do terceiro, quarto e quinto anos para tentar compreender como esse tema lançado os afetava, tanto como pedido por discussão da psicanálise quanto como abertura para outras concepções acerca do currículo. Entendendo que são os anos com um contato mais trabalhado com a Psicanálise, concentramos neles nossos recursos de apuração, fazendo ao primeiro e ao segundo um convite mais geral, para uma reunião posterior de síntese e debate das ideias arroladas com todas e todos as/os estudantes.

Em termos amplos, muitas das ressonâncias incitadas pela temática do Encontro deram conta, de diferentes modos, dum sentimento generalizado de insegurança ou pouca consistência para trabalhar em psicanálise (a partir do curso) como forma de conhecimento, em termos dos conceitos e pressupostos epistemológicos que a situam como possibilidade de produção na ciência. Esse sentimento foi frequentemente identificado com um padrão de estruturação das disciplinas como células resolvidas em si, como capítulos de uma história, sem que, contudo, os princípios de compreensão inicial e os nexos de articulação desse conjunto pudessem ser vivamente elaborados. Seria algo como um processo de pesquisa a respeito duma pessoa específica feito sem encontrá-la diretamente, mas conhecendo-a pelo contato com pessoas que a teriam conhecido e que, sem dimensão de todo o processo da pesquisa, produziriam a respeito dessa pessoa elementos de estudo em níveis de realidade ou formulação diversos, difíceis de serem per se associados pela pesquisadora (que não conhece, a priori, nem a pessoa objeto da pesquisa, nem as que a trazem em suas narrativas).

Pensamos que vale ponderar, também, que esse projeto de fomentar e tentar compreender essas demandas por discussão sobre a psicanálise no currículo foi bastante desgastante e angustiante para nós que nos dispusemos a tocá-lo. Isso talvez porque aos poucos fomos nos dando conta de uma série de limitações no nosso curso, que transcendem a temática da psicanálise, e uma sensação de impotência ao tentarmos pensar sugestões e propostas de como encaminhar essa questão tendo o currículo como um grande bloco indiferenciado. Daí mesmo talvez encontrássemos um espírito possível para a formulação do Encontro como um recorte desse bloco.

Parte do que concluímos nestas reuniões nos indicam que, indo de acordo com o que nosso projeto pedagógico orienta, é necessário fazer uma avaliação e atualização constante do currículo. Mais ainda, considerando o próprio sentido de um Projeto Político-Pedagógico, queremos ver o traçado de princípios e fundamentos que orientem a construção e o encadeamento de nossas disciplinas. Alguns pontos que pensamos em destacar do Projeto Político-Pedagógico para levar em consideração nesta discussão são:

  • Tenha condições de orientar sua prática de acordo com referenciais teóricos consistentes e de repensá-los a partir de sua experiência.  
  • Estabeleça e mantenha o diálogo interdisciplinar.  
  • Seja capaz de identificar em Psicologia os diversos pressupostos epistemológicos das diversas orientações teóricas e das técnicas daí decorrentes
  • Contemplar as demandas sociais e da comunidade na composição e orientação de programas de ensino e de estágio
  • Proporcionar experiências concretas de exercício profissional supervisionado, na forma de estágios, diversificados e devidamente regulamentados, nas principais áreas de atuação do psicólogo.

    Sobre a prática resgatamos  a Resolução N.º 013/2007 do CFP, que indica 11 títulos de especialidades das(os) psicólogas(os): 
  • I. Psicologia Escolar/Educacional;
  • II. Psicologia Organizacional e do Trabalho;
  • III. Psicologia de Trânsito;
  • IV. Psicologia Jurídica;
  • V. Psicologia do Esporte;
  • VI. Psicologia Clínica;  
  • VII. Psicologia Hospitalar;
  • VIII. Psicopedagogia;
  • IX. Psicomotricidade;
  • X. Psicologia Social;
  • XI. Neuropsicologia.  

Seria esse um norte para discussão?

Tivemos acesso às concepções dos alunos que vivem o currículo de forma global e integral e agora nos perguntamos: como lidar com elas?

Arriscamos dizer que este espaço de discussão, o encontro didático, deve ser valorizado, pela visão panorâmica da discussão, tendo como perspectiva a tentativa de superação de embates do campo político-institucional dentro da psicologia e também a preocupação essencial de refletir sobre “Que psicólogas e psicólogos queremos (nos) formar?” E sendo uma discussão de conjunto, pensando o todo, nada mais natural do que reunir a comunidade e as diversidades que a compõem pra discutir isso junto.

Vale notar que estudos mais extensos em comissões ou grupos de trabalho também têm e tiveram muito a contribuir (inclusive, desembocaram neste encontro de hoje), mas têm uma limitação objetiva pela quantidade de frequentadores e, por consequência, do potencial de contágio e desdobramento em maior escala.

Desta forma, se está tão enraizada no currículo conseguimos fazer uma discussão em que currículo e psicanálise estão apartadas? Claro que isso vale pra todos os referenciais teóricos que alimentam nosso currículo, mas entendemos que atentar para especificidades da psicanálise como forma de conhecimento e prática em psicologia pudesse ser mais enriquecedor e mesmo estratégico num contato mais imediato em avaliação e aprimoramento do currículo. Daí temos um sentido possível para esta discussão sobre a psicanálise.”

Após nossa abertura, abre-se a fala para tod@s.

Num primeiro momento, as professoras Belinda e Isabel falam e justificam as disciplinas que abordam a Psicanálise, em seus departamentos, respectivamente, PST e PSC — sendo a primeira a partir de um conjunto recente de reuniões entre os docentes do PST, sistematizado para o encontro.  

No PST, a questões formuladas foram “O quê da Psicanálise é importante para que esteja em nosso curso? Nossa Psicologia Social mobiliza quais psicanálises?” Respostas encontradas foram “ferramentas e conceitos para pensar estruturas e instituições sociais” para pensar em suas “derivas e dívidas com a constituição subjetiva para além do manifesto”, concebendo o objeto dinâmico, em oposição à tecnicidade. Da intra e da inter à transubjetividade. E mais do que só conceitos, a Psicanálise como método de pesquisa, hermenêutica da suspeita (em contraste com os paradigmas clássicos das ciências naturais). O Édipo na vertente dos processos de socialização e humanização, tendo em foco a sociedade brasileira.

Isabel (PSC) foi se lembrando de tópicos do conteúdo trabalhado no departamento: 1ª e 2ª tópicas de Freud, Édipo e recomendações aos médicos. Teoria da clínica. Textos “sociais” ficam de fora.

Na sequência o professor Pedro (PSA) fala de alguns questionamentos surgidos no departamento em relação a este tema no Encontro, implicando que não teria ficado entendido o sentido da discussão proposta: Por quê não investigar outras abordagens no currículo, ainda mais neste momento em que aposentadorias e congelamento de contratação estão acarretando extinção de linhas teóricas no IP? Qual o problema da repetição de textos desde que com outros enfoques de discussão? Por que se questionar sobre a Psicanálise? Por que distinguir obrigatória, optativa eletiva e optativa livre? O professor Leon emenda, retomando a discussão da 1ª reforma curricular sobre uma revisão do sentido dos departamentos. A distribuição equitativa de carga horária entre os quatro, como efeito disso, se a demanda se mostrasse outra, poderia vir a ser revista

Nesta pergunta “Por que se questionar sobre a Psicanálise?” é que se desenvolve a discussão deste Encontro. Porém, antes de prosseguir, é necessário falar um pouco mais de como ela se apresentou a nós. Ou melhor, como que o tema da discussão sobre a Psicanálise no nosso currículo parece ter chegado aos/às docentes. Aparentemente, querer falar sobre a Psicanálise cria uma situação de colocá-la em questão e em julgamento, quase como se fosse prejudicial botá-la pauta. E o que significa botar a Psicanálise em pauta? Dentro da pergunta proposta, o significado parece carregar um pouco de uma postura defensiva que tenta entender quais são as regras de um jogo que se manifesta através do ataque a uma área do conhecimento, a Psicanálise.

Dando prosseguimento, a aluna Gabriela Dalgalarrondo apresentou parte das atividades que tem realizado com outros colegas no GT de Avaliação da Formação em Psicologia. Através de um questionário, @s alun@s puderam avaliar o curso como um todo e alguns elementos destacados foram em relação à percepção de que 1. não há uma relação clara entre o encadeamento e a relação das disciplinas, 2. o conteúdo das disciplinas são dados em função da área de estudo e atuação d@s docentes fazendo com que não haja uma relação clara entre o conteúdo das disciplinas e o projeto político-pedagógico do curso.

Outras concepções acessadas pel@s representantes discentes através das reuniões com as turmas também foram compartilhadas. Há, proporcionalmente, maior quantidade de disciplinas de psicanálise no curso, porém é uma Psicanálise que se manifesta de forma repetitiva e pouco aprofundada. É necessário desenvolver talvez um estudo sobre as bases epistemológicas e fugir das disciplinas temáticas, não só dentro da Psicanálise mas em outras abordagens também.

Em relação a outras abordagens, recentemente perdemos o contato com a Gestalt-terapia em nossa formação. Esse trabalho era desenvolvido em uma única disciplina do PSC e, com a aposentadoria da docente Lílian Meyer Frazão, sua única ministrante desde a criação da disciplina, o departamento optou por transformá-la numa de Terapias Comportamentais. No Encontro, foi possível problematizar esse processo e reivindicar um olhar para outras abordagens, principalmente as humanistas. Mas, o que mais que nos faz falta em termos de abordagem?

E qual a perspectiva em relação à prática? O que temos feito no IPUSP nos dá condições de um exercício e de uma atuação da Psicologia? A estruturação do currículo considera nossa inserção no mercado de trabalho? Se, por um lado, compreende-se que nossa formação é suficientemente crítica para possibilitar a inserção e atuação em diversas áreas do mercado de trabalho, por outro lado, a dúvida que se manifesta é em relação à concretude da nossa Psicologia, nossas Psicanálises nas áreas de intervenção. Algumas falas de estudantes reivindicaram legitimidade por sermos nós a única parte que vive a integralidade do curso. Ponderou-se, no entanto, se essas críticas – ou quanto delas – não adviriam de experiências individuais estritas ou pouco representativas do potencial do currículo.

Falas isoladas de docentes expressaram um profundo descontentamento com a forma como sua categoria se inseria no debate, a partir da coleção de várias falas anteriores, no sentido duma notável falta de preparo para pensar o currículo (por sequer o conhecerem minimamente) e nenhuma disposição para reuniões transdepartamentais, à luz do trabalho que os alunos desenvolveram antes do Encontro. A departamentalidade foi reiterada como um grande empecilho à sanidade curricular, por confundir demandas de ordem político-burocrática com preocupações didáticas e epistemológicas, de formação. De outro lado, também notou-se ceticismo quanto ao sentido prático desse tipo de crítica (como se a departamentalidade não pudesse ser posta em questão).

A defesa de diversidades possíveis no currículo foi frequentemente tematizada. Por um lado, como se diversidade e excelência constituíssem contradição inerente (tomando universidades estadunidenses e europeias como modelo). Por outro, a autonomia estudantil na escolha de sua formação (optativização do currículo) não deveria ser entendida como a priori, mas produto de um trabalho – e que, portanto, faltaria um investimento em bases filosóficas e sociológicas no curso para que estudantes tivessem esteio para escolher.

Foi proposto, enfim, que a complexidade suscitada pelo Encontro exigiria uma responsabilização atenta por parte da comunidade, que só encontraria encaminhamento possível numa paralisação completa das atividades rotineiras em nome duma profunda imersão (Congresso interno). Também, preocupações com a saúde mental de estudantes foi destacada e articulada a efeitos desorganizadores do atual currículo, por um lado, e à ausência de políticas internas voltadas à constituição de vínculos de amparo e referência institucionais para o recolhimento do sofrimento que habita o contexto acadêmico.   

É válido destacar ainda que a organização prévia de estudantes para o Encontro foi apontada e reconhecida de forma positiva. Em contrapartida, os/as docentes reconheceram seu próprio despreparo para o Encontro e a necessidade de auto organização.

Enfim, que venham as novas discussões…

Abraço.

Resumo feito por Jéssica Aparecida e Tomaz Volpi.

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Canal RDs Psico USP – Vídeo de Apresentação

Após algum período pensando e discutindo sobre novas formas possíveis de comunicação, finalmente nasce o Canal do youtube RDs Psico USP.

Este projeto, ainda em construção, carrega a possibilidade de um contato, para além dos corredores e dia a dia da Psico, com o que são os colegiados, qual é sua estrutura e modo de funcionamento, formas possíveis de atuação dos representantes discentes nestes espaços, como têm sido as relações alun@s-instituição.

Todas estas concepções e impressões estarão presentes no canal através de uma série produzida, filmada e editada pela Lúcia Neco (Luba) e composta pelos RDs eleitos para o período de 2016-2017.

À seguir, o vídeo de apresentação do canal:

Se inscrevam no canal e venham compor conjuntamente um espaço democrático e representativo!

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Relato: CEIP 18/10/16

Presentes: Adriana (PST), Paula (CEIP), Victor (Graduação), Brenda (Graduação), Selene (CEIP), Conceição (CEIP), Yara (CEIP), Danilo (PSE), Fátima (CEIP), Paulo (CEIP), Wellington (PST), Henriette (PSA), Abigail (PSC), Cris Rocha (CEIP), Philip (Graduação), Helô (CEIP), Moisés (CEIP).

A parte aberta da reunião começou com um informe sobre a eleição à representação de funcionários no CEIP, e foi curtinho. Foram apresentadas as chapas: Sandra e Marcelo (PST); Adriana e Malu (PSA); Pablo e Abigail (PSC); Danilo e Marcelo (PSE).

Em seguida, foi trazida uma pauta que a Brenda havia pedido para levar à reunião: uma proposta de estruturar um serviço de atendimento e apoio, em rede, para mulheres. A partir disso foi discutido (em colchetes, as respostas – sem colchetes, é porque ficou na discussão):

  • a possibilidade de inserção da Rede Não Cala, USP Mulheres, entre outras instâncias existentes na USP;
  • se seria interessante pensar um centro de referência para essa rede de atenção às mulheres;
  • quem do Conselho Gestor do CEIP poderia acompanhar as discussões desse GT do serviço para mulheres [a Conceição se disponibilizou].

Depois disso, foi discutida a implementação do relógio de ponto no CEIP, assim como anda acontecendo USP afora por imposição da reitoria. Parece que não passou pelo CTA nem pela Congregação, e o CEIP se colocou numa postura de questionamento à diretoria, para pedir esclarecimentos e entender o motivo da discussão ser “onde colocar o relógio de ponto?” e não “queremos relógio de ponto?”.

E pra encerrar a parte aberta da reunião, foi comentado que a entrada coletiva está funcionando, em fase de testes, e que foram recebidas umas poucas pessoas, e quando não vinha ninguém aconteceram discussões muito ricas entre os presentes para  acolhimento.

Na parte fechada, foi até bonito ver a eficiência com a qual a gente conseguiu lidar com as pautas.

A primeira foi a respeito de uma solicitação do professor Rogério Lerner, que requisitou o cadastro de pessoas que vão usar salas do CEIP pra receber famílias vindas do HU e avaliar o desenvolvimento infantil, em pesquisa realizada em parceria com o departamento de Pediatria da FMUSP. Foi aprovado.

Houve uma solicitação, feita pelo Serviço de Psicologia Escolar, de compra e instalação de espelho numa das salas de atendimento de crianças, no tamanho de 1,50m de altura e 1m de largura, pro Núcleo de Educação Terapêutica que atende crianças com transtornos globais do desenvolvimento. Foi aprovado.

O site novo do IP tem previsão de estar pronto em algum momento em novembro, e foi solicitado que o CEIP desse informações de sua competência pra colocar lá.

Chegou então o momento de divulgar na reunião o feedback que eu recebi dos alunos em relação aos serviços que o CEIP oferece e o que poderia ter de novo. Os comentários que recebi no post do Facebook que fiz, em sua maioria, sugeriam coisas que já estão em vias de acontecer; o que foi ressaltada foi a necessidade de divulgação melhor desses serviços, e foi colocada a necessidade de um cadastro único de atendimentos. O Danilo (PSE) comentou que este cadastro de pacientes tem que estar atrelado ao programa de reserva de salas e gerar registro e continuidade deste uso  de salas, e isso inclusive servirá para gerar levantamentos futuros pra gerenciar melhor o uso do espaço.

Aí, no final, comentei que conversei algumas vezes com o Rafa da graduação, que coordena o cursinho, e que precisávamos fortalecer o diálogo pra pensar em uma parceria efetiva. Fui informado de que acabou de formar um GT pra pensar essas questões, e a Conceição tá representando o CEIP. Basicamente, eu tava meio perdido. É nóis.

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Relato: CEIP 04/10/16 (aberta, extraordinária)

Presentes: Luiza Limongi (graduação), Laura Saad (graduação), Tânia Pessoa (CEIP), Cris Rocha (CEIP), Pablo (PSC), Conceição (CEIP), Wellington (PST), Paulo (CEIP), Tatiana (CEIP), Selene (CEIP), Fátima (CEIP), Anete (CEIP), Philip (Graduação), Flávio (CEIP), Heloisa (CEIP), Victor (Graduação), Cláudio Akimoto (pós), Rafael Torres (graduação), Ana Bia (CEIP) e Moisés (CEIP).

 

O assunto dessa reunião extraordinária foi o final dos encaminhamentos do CEIP para particulares, dado o parecer da Procuradoria Geral da USP com a proibição. Copio e colo aqui a explicação curta da última ata, incluindo o auto-elogio descarado a respeito da minha bondade:

“Mas como sou bonzinho, resumindo: havia uma lista de terapeutas que topavam atender de graça para que se pudesse encaminhar casos que superassem a demanda da rede pública (ou seja, quase todos). Isso acontece há muito e muitos anos. Há alguns meses foi feita uma consulta com a reitoria para perguntar se tudo bem fazer isso, e é claro que a resposta foi um sonoro NÃO. E agora não temos como alegar que não sabíamos, então acabou a brincadeira. Isso significa que agora há o grande desafio de repensar o funcionamento dos serviços do CEIP para que se possa minimamente tapar essa cratera.”

 

Daí cês me perguntam: QUE PASA, PHILIP? Pois bem, eis o que foi conversado, ponto a ponto:

  • A Conceição pediu desculpas publicamente por ter feito a consulta, dizendo que não havia previsto que aconteceria o que aconteceu… como aluno que já teve algumas experiências com os encaminhamentos do CEIP, me sinto na obrigação de dizer que a duvidosidade dessa prática é difícil passar batida, e que fazer essa consulta dificilmente daria outro resultado que não o que enfrentamos agora (esse ponto foi editado, e deixo aqui minhas desculpas por inicialmente ter escrito de forma desrespeitosa à Conceição);
  • Alguns colocaram a possibilidade de questionar o parecer, de fazer uma consulta jurídica para ver se dá pra manter os encaminhamentos por alguma brecha ou interpretação alternativa da lei;
  • Foi lembrada a situação das fundações USP afora, que simbolizam o lado ruim da invasão do privado no âmbito público, e que continuam a testar os limites da legalidade;
  • Lembrou-se que em alguma gestão anterior já havia sido feita essa mesma consulta, e que a resposta também foi negativa mas parece que houve uma indicação informal da Consultoria Jurídica que o paciente assinasse uma declaração de ciência do caráter do encaminhamento externo, sem eximir o IP da responsabilidade;
  • A Cris comentou que no SAP todo ano havia uma discussão muito cuidadosa sobre a manutenção desses encaminhamentos, dada a óbvia delicadeza dos mesmos, e que até agora a decisão sempre fora de mantê-los devido a sua importância frente à demanda gigante por atendimento que chega ao CEIP… também ressaltou que a relação com os terapeutas externos era extremamente calculada para evitar tropeços legais maiores;
  • Sugeriu-se a possibilidade de residências e aprimoramentos como parte da solução para suprir demanda e não deixar o caráter de formação do CEIP de lado, mas também surgiram as ressalvas de como se conseguiria fazer isso com a quantidade baixa de funcionários que há no CEIP;
  • A questão “atender demanda VS. centro de formação” se manteve uma constante, pois as alternativas não podem esquecer que há um equilíbrio a ser mantido entre esses dois aspectos
  • Ressaltou-se que esse momento, apesar de difícil, tem condições de ser muito fértil, muito criativo, para que o repensar das práticas do CEIP possa novamente nos tornar um centro de referência no que diz respeito a atendimento psicológico público (como já foi há um bom tempo)… eu também falei sobre como essa pode ser uma oportunidade para pensar as práticas e serviços de uma forma que se enfraqueça a lógica departamental que seguimos cegamente;
  • A Conceição sugeriu pensarmos em alternativas como as Ligas que acontecem na Faculdade de Medicina, pois elas têm um enquadramento previsto no funcionamento da USP e podem suprir um pouco da demanda e promover práticas interdisciplinares no CEIP;
  • Cris afirma que, independente do que fosse tirado naquela reunião, o SAP já havia decidido parar de encaminhar, mesmo que se resolvesse que o CEIP brigaria pela continuidade dos encaminhamentos;
  • Foi notado que a alta demanda que chega ao CEIP se deve ao fato da rede pública encaminhar pessoas ao CEIP, quando na verdade deveria acontecer o contrário;
  • Wellington diz ser necessário, por ora, acatar ao parecer da PG e começar a pensar nas alternativas – sugeriu como espaço para isso a criação de um evento específico para o tema.

 

A partir daí, foi encaminhado o seguinte, por consenso:

  • Por ora, não serão feitos encaminhamentos para a rede privada, em consonância com o parecer da Procuradoria Geral;
  • Criar evento específico para tratar do tema, lidar com a demanda e propostas novas e as esboçadas na reunião (formação de ligas, bolsas auxílios, voluntariado, residência, cursos, etc.);
  • Consultar, num futuro-não-tão-próximo, sobre o parecer e o impedimento em encaminhar atendimentos privados, para eventualmente pensar em uma retomada dos mesmos.

É isso… muita treta pra pouco tempo. Por favor, se surgirem dúvidas conversem pelo Face ou email comigo (Philip McCormack, philtuff@gmail.com) ou com o Victor Pacetti.

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Relato: CEIP 20/09/16

Presentes: Philip (Graduação), Moisés (CEIP), Paulo (CEIP), Ana Paula (SAP), Conceição (CEIP), Wellington (PST), Selene (CEIP), Fátima (CEIP), Cris (SAP), Maria Júlia (SAP), Adriana (PSA), Pablo (PSC), Tânia (CEIP).

 

As reuniões estão sendo abertas para a comunidade por 1h30, e depois fecha só pro Conselho e fica mais 2h.

 

O grande assunto da vez foi o polêmico fim dos encaminhamentos para a lista de terapeutas particulares. Para mais detalhes de como isso funcionava, conversem com Phil, Pacetti ou psicólogas do CEIP, pois a história é meio longa.

Mas como sou bonzinho, resumindo: havia uma lista de terapeutas que topavam atender de graça para que se pudesse encaminhar casos que superassem a demanda da rede pública (ou seja, quase todos). Isso acontece há muito e muitos anos. Há alguns meses foi feita uma consulta com a reitoria para perguntar se tudo bem fazer isso, e é claro que a resposta foi um sonoro NÃO. E agora não temos como alegar que não sabíamos, então acabou a brincadeira. Isso significa que agora há o grande desafio de repensar o funcionamento dos serviços do CEIP para que se possa minimamente tapar essa cratera.

 

A discussão não se encerrou de forma alguma, pois será amplamente discutida na reunião aberta do dia 4 de outubro. Então o que se fez foi apontar dedos e, depois, levantar reflexões e questões… Aqui vão algumas:

  • Pensar no que já existe como serviço e o que poderia passar a existir para atender melhor à demanda;
  • Pensar modelos de atendimento que são usados e o que pode ser feito de novo ou diferente;
  • Perguntar aos alunos o que acham dos serviços existentes e o que sugeririam de diferente ou novo (fiz isso pelo Facebook por falta de um jeito melhor alcance);
  • Como estruturar essa readequação de forma que não caia na simplificação de suprir a demanda que era atendida, mas sim poder pensar pra frente, de acordo com algumas diretrizes tirada no Congresso do CEIP (que aconteceu no 2º semestre de 2015);
  • Professores pensarem a funcionalidade de seus respectivos laboratórios e serviços de forma integrada e virada um pouco mais para o atendimento da demanda;
  • Pensar iniciativas não só de atendimento, como também de promoção de saúde.

 

Com isso tudo, se espera que esse momento seja lidado de forma conjunta a uma ressignificação do papel atual do CEIP, para que não se perca de vista o que se anda debatendo há algum tempo sobre os rumos do CEIP.

 

No final, foi comentada a necessidade de retornarmos à discussão do uso de salas para encerrar a conversa e tomar uma atitude.

 

Ao longo da reunião, vale notar que as principais críticas que surgiram ao Conselho Gestor do CEIP foram em relação à falta de comunicação e ao excesso de pautas pra depois não resolver nenhuma. Somos desorganizados, e a ideia é começar a ser mais conciso pra cuidar direito das coisas, uma por uma. Isso significa, de certa forma, que estamos aceitando o fato de que não vamos conseguir fazer mil maravilhas mas que o que fizermos vai ser mais bem estruturado.
Falô.

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